Olhando para o plano geral, Jorge Castanheira, director-geral da Wunderman e júri na categoria de marketing relacional, refere que “as expectativas são sempre altas, Cannes é o nosso Campeonato do Mundo, onde se reúne o que de melhor existe na nossa indústria quer em termos de pessoas quer em termos de trabalho efectuado”, acrescentando que este “é um momento de avaliação e de reflexão em que se cruzam tendências, trabalhos de referência e que deve ser um momento aproveitado por todos os agentes nesta indústria para valorizar este mercado e comprovar o nosso papel fundamental na economia global e de cada país em particular”. “O Festival de Cannes gera sempre as maiores expectativas e no que respeita à participação portuguesa não é diferente”, considera também Elisabete Vaz Mena, directora criativa da Grey e jurada para os trabalhos de imprensa, numa opinião partilhada pelo outro jurado português na categoria de Design, Eugénio Chorão, CEO da Euro RSCG Design & Arquitectura: “As minhas expectativas são altas. O festival tem muito boas candidaturas e vai ser, como sempre, um exemplo do que de melhor se faz no mundo em matéria de comunicação, bem como um espaço de exposição e de valorização em matéria de design”, acredita. “Não conheço todos os inscritos, principalmente os trabalhos inscritos nas outras categorias, mas tenho a certeza de que temos alguns trabalhos que estão ao nível do que de melhor se faz no mundo. A eventual consagração de alguns deles depende sempre da especificidade do júri do ano mas devemos estar confiantes”, considera Jorge Castanheira.
Quanto a ter argumentos para manter a fasquia daquilo que foi alcançado na última edição, Castanheira alerta para o facto de que “não existe um processo de consolidação linear que nos permita concluir que, graças ao sucesso atingido no ano passado, passamos a estar num outro patamar que nos garanta aspirar a uma repetição daquilo que aconteceu no ano passado”. Ainda assim, o director da Wunderman diz sentir “que devido a esse êxito vamos estar um pouco mais expostos e seremos objecto de uma maior atenção. Mas o processo de avaliação depende muito do júri de cada ano e, no ano passado, penso que ninguém em Portugal tinha a percepção e a expectativa de que o resultado final pudesse ter sido aquele”, lembra. Eugénio Chorão considera que “a fasquia subiu. Ao termos ganho muitos prémios no ano passado, a expectativa e a responsabilidade aumentaram. Provavelmente a crise fez com que diminuíssem o número de candidaturas, mas a qualidade deverá manter-se”, antecipa o jurado da categoria de design. Em relação à prestação portuguesa no último ano de festival, Elisabete Vaz Mena deixa uma ressalva: “A última edição registou o melhor ano de sempre para a publicidade portuguesa e não para as agências portuguesas. Foram duas a ganhar leões, o que está mais ou menos em média com a prestação nacional de outros anos. O que aconteceu de diferente foi um trabalho em especial ganhar muitos leões. Porquê? Porque era bom e porque foi inscrito em muitas categorias”, aponta, questionando “por que é que o mesmo não pode acontecer este ano?” e aponta o caminho, que ilustra as apostas estratégicas de algumas agências. “Existem três maneiras de ir à caça: com muitas munições, com muita pontaria ou com as duas coisas”.
Caminhos opostos
“A minha interpretação é que esse fenómeno deverá estar ligado às dificuldades pelas quais o país tem vindo a passar, a crise tem-se notado mais nuns países do que noutros e Portugal terá provavelmente sido um dos mais afectados. Houve menos investimento e menos produção”, aponta Eugénio Chorão quando questionado sobre as razões para o desfasamento entre a quebra de 23 por cento nas inscrições nacionais e o incremento de sete por cento no número de trabalhos inscritos na totalidade. “A MOP será a melhor entidade para responder a essa pergunta mas penso que a situação económica do país e a necessidade que as agências têm tido em reduzir todo o tipo de custos está directamente relacionada”, afirma a directora criativa da Grey. A crise económica é então ponto comum na opinião dos três jurados portugueses já que Jorge Castanheira considera que “esse facto não é indissociável do momento económico que atravessámos e que continuamos a encarar, situação que provoca dois efeitos: uma eventual diminuição de trabalhos com potencial para concorrer e uma maior racionalização no momento da inscrição”.
A minha categoria
Aproveitando a visão privilegiada que cada jurado possui na categoria que irá avaliar, o M&P pediu a cada um que fizesse uma antecipação daquilo que espera dos trabalhos nacionais na respectiva categoria. “Embora não conheça a lista de inscritos, tenho a noção de que há alguns trabalhos interessantes e que alguns têm estatuto e capacidade para passar a primeira fase, para usar uma expressão tão em voga nos prognósticos da nossa selecção. Acho que existem, de facto, trabalhos com condições para chegar à shortlist”, acredita Jorge Castanheira, que irá avaliar o trabalho desenvolvido na área de marketing relacional. Elisabete Vaz Mena, que irá passar a pente fino as peças inscritas na categoria de imprensa, não quer, para já, fazer comentários sobre aquilo que se poderá vir a passar: “Não conheço todas as peças que foram enviadas, pelo que acho prematuro estar, neste momento, a antecipar qualquer tipo de análise.” Eugénio Chorão, que avalia em design, tem expectativas “altíssimas” para esta categoria. “Na edição passada fomos um dos países que recebeu maior número de prémios na categoria de design”, lembra, assegurando que, “enquanto jurado português, estou lá também para defender e promover a qualidade e a criatividade do design nacional. Vou fazê-lo de uma forma consciente e patriota, com a certeza de que estamos a competir com os melhores profissionais de todo o mundo”.
- Em Cannes também se fala português
O Festival de Cannes vai ainda contar com outras participações lusas. A competir nos Young Lions vão estar em representação de Portugal as duplas da Leo Burnett Pedro Hefs e Steve Colmar, na categoria de imprensa, Juan Christmann e Lincoln Guimarães em outdoor, e Juan Christmann e Frederico Bosch em cyber. Na categoria de filme a dupla é Francisco Pedreira e Tânia Costa (JWT), enquanto em design será Tiago Nascimento (Brandia Central). As restantes duplas de jovens criativos com bilhete para Cannes são Tiago Talone e Bruno Rio (Unicer), na categoria marketing, e Joana Mafalda Santo (Lattitud) com Inês Delgado Pedro (Arena Media), na categoria media. As categorias design e outdoor são exclusivas para Portugal, pelo que não irão competir com duplas de outros países em Cannes, mas os vencedores dos Young Creatives nestas categorias receberam também uma viagem para assistir ao festival de publicidade.
- Inscrições por agência
Leo Burnett – 74
MSTF Partners – 41
Fuel/Euro RSCG – 18
Fischer – 15
Ogilvy – 15
Proximity – 11
Euro RSCG – 8
McCann Erickson – 8
Índigo – 6
JWT – 6
Young & Rubicam – 5
Ivity Brand Corp – 4
Havas Sport & Enterteinment – 3
Mola Ativism – 3
Waynext – 3
Brand Connection – 2
Brandia Central – 2
Euro RSCG Design & Arquitectura – 2
Lift Consulting – 2
Mybrand – 2
Screenvision – 2
Ydreams – 2
Action4 Ativism – 1
BBDO – 1
BBDO/RMAC – 1
Grey – 1
Impression – 1
OMD – 1
Fonte.: Meios&Publicidade
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